Instruções posteriores

Ezra Pound*

Venham, minhas canções, vamos expressar nossas paixões mais básicas.
Vamos expressar nossa inveja do homem com um trabalho regular e nenhuma preocupação com o futuro.
Vocês são muito vãs, minhas canções.
Receio que terão um péssimo fim.
Vocês vagabundeiam pelas ruas, Vocês demoram-se nas esquinas e paradas de ônibus,
Vocês não fazem quase nada.

Vocês sequer expressam nossas grandezas mais íntimas,
Vocês terão um péssimo fim.

E eu? Eu acabei um pouco alucinado.
Eu falei tanto com vocês, que as vejo quase à minha volta,
Insolentes animaizinhos! Libertinas! Desnudadas!

Mas vocês, canções mais recentes do lote,
Vocês não são velhas o suficiente para terem causado muita injúria.
Eu trarei para vocês um casaco verde da China
Com dragões nele bordados.
Eu trarei para vocês as calças de seda escarlate
Da imagem do menino Jesus em Santa Maria Novella;
Para que não digam que nos falta o gosto,
Ou que não há ninguém casto nessa família.


O SOBRADO
Ezra Pound

Vem, apiedemo-nos daqueles que estão melhor que nós.
Vem, amiga minha, e recorda
.......que os ricos têm mordomos e não amigos,
E nós temos amigos e não mordomos.
Vem, apiedemo-nos de casados e solteiros.

A aurora entra com seus pezinhos
.......como uma dourada Pavlova
E estou próximo ao meu desejo.
Não há coisa melhor no mundo
Que essa hora de claro frescor
.......a hora de despertarmos juntos.

 

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Copyright © 2003 do texto original Online, Ian Lancashire for the Department of English, University of Toronto. Publicado por the Web Development Group, Information Technology Services, University of Toronto Libraries. http://eir.library.utoronto.ca/rpo/display/poem1654.html
Texto original : "Poems," Poetry: A Magazine of Verse 3.2 (Nov. 1913): . Ezra Pound, Lustra (London: Elkin Mathews, 1916) 25. PS 3531 O82L8 1916 Robarts Library.
First publication date: 1913. [Tradução Lauro J.M. Marques]

 
 
 
 
 
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