Nilto Maciel
Entrevista com Leda Tenório da Motta

por Lívio Oliveira

L.O. O que e a quê a palavra conduz?
L.T.M. Os humanistas antigos diziam que a palavra é vento. Quando circula pelos corredores de seu palácio, um livro na mão, murmurando entredentes "palavras, palavras, palavras", é nisso que Hamlet está pensando. E é ainda isso que ecoa em formulações decisivas dos mais exemplares poetas da modernidade, a exemplo daquela de Mallarmé – que está num texto só agora traduzido entre nós, com mais de um século de atraso, Crise de verso – segundo a qual as línguas são “imperfeitas porque plurais”. Reforçando a convicção dos poetas, todas as lingüísticas gerais do século XX, e junto com elas todas as semiologias e semióticas contemporâneas teorizaram o arbitrário do signo. Essa é uma questão que já está posta para nós desde o Crátilo de Platão, onde se discute se os nomes seriam mais que convenção. Bom....depois de tudo isso, como não dar razão aos que pensam que a literatura não deve fechar-se em dogmatismos e doutrinamentos, que ela não tem muito mais a fazer senão dar testemunho dessa fragilidade de seu instrumento, que ela não deve querer nos conduzir a parte alguma do sentido?

L.O. O que constrói um escritor?
L.T.M. Para quem vem como eu de uma formação francesa totalmente nouvelle critique – Roland Barthes, Julia Kristeva, Gérard Genette – com tudo que isso comporta de presunção de uma centralidade da linguagem e dos signos, a tentação é forte de responder, rapidamente, que o que constrói um escritor são as próprias escrituras.
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Nilto Maciel
Entrevista com Régis Bonvicino

por Lívio Oliveira

L.O. Há leis, hoje, para a poesia?
RB. Todo poeta maior, como Murilo Mendes, João Cabral ou Drummond, cria suas próprias "leis", cria uma poética – que é menos uma "lei" – uma norma cogente – e mais uma constante dinâmica.

L.O. Que momento vive a poesia brasileira?
RB. O de aceitação do presente capitalista como infinito, isto é, um momento decadente, epigonal, sem originalidade – sem razão utópica, de mera produção, no sentido mecânico da palavra. A poesia brasileira atual é das mais provincianas do mundo. Um exemplo paradigmático do que falo é a poesia e a figura do "consagrado" Carlito Azevedo, que, aliás, não escreve há uma década. Carlito Azevedo, que pode ter 25 anos de tempo livre, sem um trabalho formal, para ganhar o pão
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Nilto Maciel
Entrevista com Nilto Maciel

por Cissa de Oliveira

Cissa de Oliveira: Nilto, consta na sua bibliografia que o seu primeiro livro foi publicado em 1974. Você se descobriu escritor por volta dessa época ou já escrevia muito antes de 1974?

Nilto Maciel: Leio desde menino e desde adolescente passei a imitar os escritores. Claro que nada daqueles escritos valia alguma coisa. Na verdade, o que sobrou (joguei quase tudo no lixo) foi um conjunto de 14 contos curtos que publiquei em 74 sob o título "Itinerário", depois reescrito e republicado.

Cissa de Oliveira:
Qual é, na sua opinião, o papel do escritor na evolução da linguagem?
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Entrevista com Daniel Piza

por Laurence Bittencourt Leite

LBL - Na introdução do seu livro “Jornalismo Cultural”, você diz que olhando historicamente o panorama do Jornalismo cultural brasileiro, é possível perceber que o mesmo já não é mais como antes e que grandes publicações e autores do passado tem hoje poucos equivalentes, havendo com isso uma perda de influência. No entanto, na mesma introdução, você afirma que “ironicamente as seções culturais dos grandes jornais continuam entre as páginas mais lidas e queridas dos jornais”. Não haveria uma contradição entre as afirmações? E que autores seriam esses com poucos equivalentes hoje?
DP - Não há uma contradição. As seções culturais continuam entre as mais queridas mesmo tendo perdido a alta qualidade média que tiveram algumas vezes no passado. Os leitores obviamente simpatizam com um caderno que fale de assuntos como livros, exposições, filmes e discos, e não a violência, a política e os índices econômicos das outras seções. Mas isso, sim, significa que é preciso servir melhor a esse leitor, dando a ele orientação rigorosa, prazer verbal e gráfico, formação crítica. Hoje não temos mais Otto Maria Carpeaux, Alvaro Lins, esse tipo de crítico literário enciclopédico que consegue imprimir tom ensaístico no jornal. Não temos crítico de teatro do porte de Décio de Almeida Prado, nem crítico de cinema do de Moniz Vianna. Etc., etc. Precisamos resgatar a grande crítica...
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Entrevista com Marcelino Freire


por Lívio Oliveira


L.O. Que incômodos e satisfações há em tratar de temas absolutamente presentes na barbárie atual brasileira (a violência, a corrupção, o preconceito, a miséria moral e econômica)?
M.F. Eu não escolho os temas, sempre falo isto. É que a coisa está aí, para quem quiser ver. Não consigo ficar alheio ao mundo à minha volta. E o mundo anda uma porrada. Meu texto e meu juízo são afetados por isso. Não deixa de ser um incômodo. Satisfação, creio, só na hora de resolver um conto. O alívio que me dá no peito quando termino o texto. Quando exorcizo os cachorros do peito. Eu me vingo escrevendo. Alivio certo peso medonho, sei lá.
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Entrevista com Marcia Tiburi

por Lívio Oliveiras


L.O. O que diferencia, essencialmente, a filosofia da literatura?
M. T. São dois campos tão próximos e tão distantes que falar de uma diferença pode ser complicado. A diferença é que a filosofia não precisa ser escrita, que ela é evento, é acontecimento. É mais essencial que falemos de filosofia entre nós, do que escrevamos sobre ela. A literatura, por sua vez, é escritura, depende da escrita e se faz por meio dela. A rigor, um filósofo não precisaria escrever nada desde que ele possa realizar seu trabalho de pensamento na comunidade com a qual dialoga...
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(Des) Criador de Palavras
(Entrevista com Manoel de Barros)


por Paulo Alves


PA - Você foi jornalista no Rio de Janeiro. Como foi essa experiência?
MB - Eu fiquei no "Correio da Manhã" pouco tempo, quem me levou pra lá foi um jornalista que trabalhava lá há muitos anos e cobria naquele tempo... No tempo a que estou me referindo, os poderes Judiciário e Legislativo funcionavam lá no Rio, então ele cobria a Câmara dos Deputados...

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Entrevista com Ronaldo Correia de Brito
Entrevista com Ronaldo Correia de Brito


por Lívio Oliveira


LO - De que ponto se parte no regional para se atingir os elementos da universalidade, do cosmopolitismo?

RCB -
Eu inventei um modo de chamar o teatro popular nordestino: grande teatro universal de tradição popular...
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Silêncio Compartido
Silêncio Compartido (Entrevista com Laura Cerrato)

por Gustavo de Castro


GC - Laura, para filósofos a palavra tem o peso do conceito. Para literatos e poetas ela tem a abertura da metáfora, da pluralidade de significados, e para os místicos, a palavra tem a força de evocação divina. Afinal, continuando nossa série de entrevistas e, seguindo a pergunta feita por Roberto Juarroz em Poesia y Realidad (Buenos Aires, Carlos Lholé Ed, 1972), que realidade é a palavra?
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Entrevista com Floriano Martins
A Realidade da Palavra
(Entrevista com Floriano Martins)


por Gustavo de Castro


GC - Floriano, para você que realidade é a palavra?

FM - Antes de pensar nela como unidade isolada, me atrai a idéia de palavra dada e modo de ver. Portanto, ao invés de ficar a degustar-lhe como andorinha que solitária jamais fará verão algum, me ponho a propiciar um encontro gozoso, uma orgia de significância, de valores...
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Qual a Realidade da Palavra?
(Entrevista com Fabrício Carpinejar )


por Gustavo de Castro

Para os místicos a palavra é uma evocação divina, para a filosofia uma só palavra pode ser um conceito, para a literatura a mesma palavra pode ser uma metáfora. Afinal, quantas são as faces de uma mesma palavra? "Que realidade é a palavra?"
A palavra é a realidade do que não pode ser dito. Toda palavra é aproximação do invisível. É um joelho que pede espaço para sentar. Um braço que te enrola como se a chama fosse um caroço do pássaro. A palavra tem peso mais do que valor. Não há como trocar a fé por sinônimos. A gente morre com duas ou três frases necessárias para proteger quem nos ama...
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