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Acabo de assistir ao filme Nome próprio, de Murilo Salles. Não é
possível elogiar com os elogios que já existem a interpretação de
Leandra Leal. A atriz é Clarah Averbuck (ou Camila, pseudônimo da
escritora gaúcha) da cabeça aos pés (e ao coração). Espetacular,
visceral (pra repetir o que os críticos já andam dizendo). Mas há algo
no filme que me incomoda. E há de ser o mesmo algo presente nos livros de Averbuck. São relatos obviamente autobiográficos, precariamente
ficcionalizados (e isso é proposital), e só me dizem coisas sobre um
modo infantil de lidar com as situações da vida real. São todos os
livros dela muito "Liana" demais, há muito de mim ali. Mas, |
principalmente, há muito do que eu detesto em mim. Tudo isso deve se
explicar a partir de uma adolescência muito bem vivida, e da qual não
me arrependo, mas que está lá atrás, no lugar dela, no passado. E a
Clarah/Camila tem a minha idade e segue infantilizada, irresponsável,
iludida, meio sonhadora, deslumbrada. Aí está a palavra: deslumbrada.
E impune. Tudo isso se sustenta bem numa literatura originada de blog,
que é o caso dela - e é muito do que eu faço também, claro -, e no
cinema e em qualquer outra arte contemporânea. Mas na vida real não. É
adolescente demais; é classe média demais. E, especialmente para a
vida real, estou farta de fantasias melancólicas, de neogóticos, de
emos adolescentes e, principalmente, de emos adultos. Se é pra tocar o
'foda-se', posar providencialmente de irresponsável, de
rebelde-com-conteúdo, de visceral (repetindo...), eu toco aqui: essa
literatura, pra mim, não é suficiente. Não digo que não é boa, pois já
li tudo de Averbuck. Mas é pouco. E essa escritora tem mais pra dar; é
só apostar em outras ficções. Quem sabe ela não chega, um dia, ao
talento pulsante de Leandra? Que se dá, inteira, à personagem. Mas
passa longe de qualquer imagem (minha) adolescente.
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