Críticas de Cinema

   

Newman
(Sebastião Vicente)


Não é de bom tom confundir ator e personagem, mas a despedida, esta semana, do senhor Paul Newman abre uma licença temporária para se contrariar esse mandamento do mundo da representação artística. Todas as informações sobre o Newman real que os jornais recuperaram e
republicaram por ocasião da morte do ator parecem validar uma certa – e boa – impressão de que o ator e as pessoas que tão bem representou são uma mesma entidade, sobre e em torno da vã vida real
...leia mais >>

     
   

Notas sobre filmes que vi
(Gustavo de Castro)

Quatro Minutos
É um filme forte mas não trágico. Forte no sentido de ter personalidade. Atormentada pelo passado e fascinada por piano e história da música, a Sra. Krüger trabalha há 60 anos no mesmo lugar: um presídio. Antes havia trabalhado como enfermeira de guerra, atendendo em Berlin bombardeada, os almães. No presídio, entre as alunas, ela encontra uma que é brilhante:  Jenny. Nas primeiras cenas de Jenny ela espanca dois guardas. É quando começa a convivência da sra. Kruger com Jenny. É um filme de encontros: relações difíceis, mas possíveis; a música mediando a alma atormentada de cada um. Sim, é um filme sobre os infernos de cada um. Um filme duro e honesto. Nota 5.

Lemon Tree
As histórias reais fascinam sempre. A história de Salma (Hiam Abbass), uma viúva
...leia mais >>

     
 

Quatro Minutos
(Extraído de guiadasemana.com.br)

Fascinada por música, a Sra. Krüger trabalha há 60 anos ensinando piano para presidiárias na Alemanha. Provocada pelo diretor da penitenciária, que ironiza sobre a baixa assiduidade de suas alunas, a pianista decide abrir novas vagas para a turma e recebe a visita de Jenny, uma jovem instável e agressiva que cumpre pena por assassinato. No primeiro encontro, porém, a moça acaba perdendo o controle e espancando um dos guardas...leia mais >>

     
 

Um cinema desiludido
(Sebastião Vicente)

Tommy Lee Jones vem se tornando a nova face da América desiludida. É assim que ele aparece em pelo menos três filmes recentes: o árido drama sobre fronteiras e imigração "Três Enterros", que também dirigiu; a sufocante jornada de "No Vale das Sombras" (Paul Haggis), onde interpreta um pai em busca do filho desaparecido em meio às batalhas do Iraque; e "Onde os fracos não têm vez", o filme que deu o Oscar mais consagrador à dupla Ethan e Joel Coen. A ficha me caiu enquanto assistia, com algum atraso, a este último título....leia mais >>

     
 

Nome próprio - resenha sobre mim, sobre Leandra e sobre Clarah
(Liana Vasconcelos)

Acabo de assistir ao filme Nome próprio, de Murilo Salles. Não é possível elogiar com os elogios que já existem a interpretação de Leandra Leal. A atriz é Clarah Averbuck (ou Camila, pseudônimo da escritora gaúcha) da cabeça aos pés (e ao coração). Espetacular, visceral (pra repetir o que os críticos já andam dizendo)...leia mais >>

     
 

O Banheiro do Papa
(Sebastião Vicente)

É como se os melhores princípios do neorrealismo italiano tivessem dado um salto no tempo e no espaço e desembarcado no cinema uruguaio de hoje em dia. Ou então como se Jacques Tati pegasse sua bicicleta, pedalasse com um pouco mais de força, atravessasse o Atlântico by bike como aquele menino que abrigou E.T., e fosse dar num pequeno povoado do Cone Sul. E tudo isso para encenar não uma comédia mímica francesa, mas uma quase tragédia coletiva sul-americana dotada de um muito especial senso de humor. Isto é "O Banheiro do Papa", filme que tem entre seus dois diretores o uruguaio/brasileiro César Charlone, consagrado diretor de fotografia de "Cidade de Deus" (o co-diretor é Enrique Fernánde... leia mais>>

     
 

Um Beijo Roubado
(Sebastião Vicente)

Premido pela lógica de uma cinematografia e vigiado pela concorrência de seus pares, o crítico de cinema do jornal de todo dia afirma: o novo filme do cineasta asiático Kar Wai Wong, “Um beijo roubado” é uma diluição de seu talento, já que foi feito numa experiência de aproximação com a indústria do cinema norte-americano. Por isso, não tem a força da inventividade dos seus filmes anteriores e pisa macio para não espantar o público médio do circuito mundial que se alimenta da fábrica de entretenimento de Tio Sam... leia mais>>

     
 

O Escafandro e a Borboleta
(Gustavo de Castro)

Alguns filmes mexem conosco além da imaginação. Parecem atuar direto nas vísceras de nosso corpo, como se as entranhas tivessem olhos e coração. Foi o que aconteceu comigo após assistir O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon; Drama; 112 minutos; França / EUA: 2007). O filme conta a história real do editor Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), editor da revista Elle, que sofre um derrame (síndrome de locked-in) deixando-o apenas com um único movimento corporal: o do olho esquerdo. Dirigido por Julian Schnabel (Antes do Anoitecer) e com Max von Sydow no elenco, recebeu 4 indicações ao Oscar, o que não quer dizer muito, de qualquer forma, o filme vale pela história e pela câmera...leia mais>>

     
 

Metamorfose Ambulante
(Luiz Fernando Gallego)

Há muito o que dizer sobre Não Estou Lá, uma cinebiografia fora dos modelos vigentes que se repetem, todas com quase a mesma estrutura, parecidas entre si seja tratando de Ray Charles ou de Edith Piaf. Aqui, não: o estilo poderia ser dito "cubista", já que é caleidoscópica, anárquica, múltipla. E seja qual for o adjetivo que se tente usar para resumir a forma de Todd Haynes abordar Bob Dylan, o que se constata é que, no todo e nos segmentos, tudo funciona muito bem, mesmo com uma duração de mais de duas horas de projeção, várias digressões e alguns trechos mais interessantes do que outros...leia mais>>

     
 

Indiana Jones – Um filme, um cinema
(Sebastião Vicente)

Os filmes da série Indiana Jones nunca serão filmes comuns para mim. Isso influencia a leitura que eu faço deles e você não tem obrigação nenhuma de concordar comigo. Mas se vai ler essas impressões aqui do novo filme da série, a que assisti há umas poucas horas, é bom saber os detalhes antes. Acontece que "Os caçadores da Arca Perdida" foi o primeiro filme que eu vi num cinema de classe, desses de capital, cheios de carpetes, com sala de espera e aquele climão de catedral. Ao menos foram essas as primeiras impressões que eu tive ao entrar com meu amigo Ítalo, que morava em Recife já há alguns anos, no cine Veneza, ali na rua do Hospício, quase de frente às Pernambucanas, centrão da capital pernambucano, 1981 ou 82, por aí...leia mais>>

     
 

A Face de Brasília no Cinema
(Sebastião Vicente)

Luiz Carlos Vasconcelos é uma presença austera, um fantasma especulativo que caminha pelas quadras de Brasília, o olhar alinhado com a linha do horizonte, a intuição ligada em potência máxima, o andar cadenciado de quem no fundo flutua. Luiz Carlos Vasconcelos é o vaqueiro voador do romance de cordel na brilhante adaptação para o cinema feita por Manfredo Caldas. Luiz-o ator/Vaqueiro-o personagem podem estar na Asa Norte, no Núcleo Bandeirantes, chegando à cidade no aeroporto e sendo recebido pelo diretor do filme, ou então vaquejando naqueles descampados por trás da praça dos Três Poderes, em cenas pungentes que se projetam sobre os vidros modernosos dos novíssimos prédios do Judiciário na capital do país...leia mais>>

     
 

Sangue Negro
(Sebastião Vicente)

Primeiro filme da matarona que prometi dar de presente a mim mesmo. Maratona de cinema "no cinema", bem entendido. Um compromisso familiar me impediu de planejar melhor a estréia. Terminou que a escolha acabou sendo feita por uma conveniência de horário. O resultado disso é que, pela segunda vez na vida, entrei numa sala de exibição para assistir a um filme do senhor Paul Thomas Anderson sobre o qual - falo do filme, não do cineasta - eu não sabia absolutamente nada. Não havia lido uma linha sequer sobre o tal filme. Isso é coisa muito rara de acontecer especialmente hoje em dia, quando a gente é bombardeado por informação e termina lendo/ouvindo/vendo até o que não quer - digo, especialmente o que não quer, o que não interessa, mas, enfim, isso é outro papo...leia mais>>

 
 
Todos os direitos reservados à Casa das Musas.