tradução 1
Coleção de Areia

Ítalo Calvino

Há uma pessoa que faz coleção de areia. Viaja pelo mundo, e quando chega a uma praia marinha, às margens de um rio ou de um lago, a um deserto, a uma lande, recolhe um punhado de areia e leva consigo. A seu retorno esperam-na, alinhados em longas prateleiras, centenas de frascos de vidro, entre os quais a fina areia cinza de Balaton, aquela branquíssima do Golfo de Sião e aquela vermelha que o curso do Gâmbia deposita abaixo pelo Senegal, manifestam a sua não vasta gama de cores esfumaçadas e revelam uma uniformidade de superfície lunar, mesmo através das diferenças de granulosidade e consistência; do cascalho branco e negro do Cáspio que parece ainda ensopado de água salgada aos diminutos pedregulhos de Maratea, brancos e negros também esses, à sutil farinha branca salpicada de gotículas violetas de Turtle Bay, próximo a Malindi no Kênia... leia mais>>

tradução 2
Poesia e pensamento

Chantal Maillard

A pergunta pela relação entre poesia e pensamento é sempre tema dos encontros poéticos. Aparentemente, o tema rende muito, mas perguntamos se esta relação não será alimentada de falsas dicotomias inventadas que, ao serem nomeadas, para poder falar de algo, acabam falando, ao fim e ao cabo, apenas delas mesmas.
Obtive a resposta de repente, enquanto lia Fiat umbra (Valencia, Pre-Textos) de Isabel Escudero quando, ao dar-me conta de que levantava os olhos do livro e ficava com o olhar perdido depois da leitura de um de seus fragmentos, recordei um exemplo que colocava Miguel Palacios em suas aulas de Ética: aquele que lê filosofia, dizia ele, levanta às vezes a cabeça, como faz um pássaro ao beber água. Assim, o lido se filtra como água e se assenta no entendimento... leia mais>>

tradução 3
Pecados da omissão

  Alberto Manguel 

Um leitor pode definir-se pelo que lê como pelo que recusa ler. “Está aí como ameaça, não como leitura”, dizia Severo Sarduy de um exemplar de Os Ciprestes crêem em Deus que alguém havia deixado sobre sua mesa. Mark Twain se ufanava de não haver lido nem Madame Bovary nem Orgulho e preconceito. "A melhor maneira de começar uma biblioteca”, aconselhou, “é omitir as obras de Jane Austen". "Não me desloco nunca sem meu exemplar de Clarissa", explicava Evelyn Waugh quando o viam tomar o trem com a volumosa novela de Richardson debaixo do braço. "Me serve para manter a porta entreaberta".

No mundo da escritura, confessar os pecados de omissão é um fato menos comum. Stéphane Mallarmé, em uma carta a Paul Verlaine, admitiu não ter escrito nunca sua obra desejada, isto é, "simplesmente um livro, em vários volumes, um livro que fosse de verdade um livro, arquitetonicamente sólido e premeditado, e não uma coleção de ocorrências casuais por mais maravilhosas que sejam".... leia mais >>

 

Do Substantivo Plural
Especial entrevistas:


Filosofia e Comunicação...
Teoria da inspiração

Bráulio Tavares

Não tem pra onde correr.  Toda vez que um cineasta, teatrólogo, escritor, etc. dá uma entrevista, lá vem a pergunta de sempre: “E de onde vem a inspiração?”   Eu entendo e compartilho o drama dos coleguinhas da imprensa, que todos os dias são forçados a fazer uma prancheta inteira de perguntas a desconhecidos.  Mas isso não me poupa do suspiro resignado diante desta questão específica, que, caso vocês não saibam, é uma das mais desnecessárias entre as que abordam a criação artística..

A inspiração, para o sujeito que cria, é o óbvio, é o inevitável, é o mais-que-possível. Um leigo deve pensar que um artista é um sujeito igual a todo mundo, que acorda, escova os dentes, dedica-se a tarefas rotineiras, e de repente é possuído por um espírito, ou atingido por um raio, e passa a produzir febrilmente uma obra de arte, antes que aqueles minutos de iluminação mística se dissolvam no ar.  Concordo que de vez em quando acontece algo assim, mas, creiam-me, isto é um acesso eventual, e o processo normal da inspiração se dá por canais muito diferentes.  Perguntar a um artista de onde vem a inspiração é como perguntar a um casal em lua-de-mel de... leia mais>> 

 

Substantivo Plural – Informação, Cultura e Idéias
(www.substantivoplural.com.br)

  Primeira Bienal Internacional de Poesia

Beppo Oz
 

DA REDAÇÃO

 Foi necessário apenas um ano para que o Substantivo Plural, site de informação, cultura e idéias, se tornasse o mais prestigiado e dinâmico espaço de cultura literária do Nordeste. O Substantivo acaba de completar um ano de existência e já se firma como um dos mais inovadores do país.

Seja para fugir do tédio praieiro que enverga a vontade de não sair da rede e do livro, seja como forma de resistência cultural ao sul-maravilha que, míope, não enxerga nem divulga devidamente as produções culturais nordestinas... leia mais >>

 

Em Setembro Brasília será capital internacional da poesia

Talvez só a poesia salve Brasília. Repito esta frase desde que fiquei sabendo da realização aqui, de 3 a 7 de setembro, da I Bienal Internacional de Poesia. A pretensão de Antônio Miranda, diretor na Biblioteca Nacional, professor da UnB e organizador do encontro é reunir as novas tendências da poesia contemporânea brasileira e internacional escrita
... leia mais >>

 
 
Filosofia e Comunicação...
Nietzsche e a Estrela Bailarina

Pablo Capistrano

Falam as más línguas que Nietzsche teria dito uma vez: “eu não acredito em um deus que não dance”. Não posso atestar se ele realmente disse isso, porque não lembro de ter lido em nenhum livro e, como eu tenho essa doença que alguns chamam de “literofilia crônica” (dizem que é hereditário) só acredito naquilo que eu leio... leia mais >>

Filosofia e Literatura...
Mentiras e Flores – Onde viver é um verbo sem passado
(resenha)

Florence Dravet

Primeiro, há a poesia de dentro de cada personagem que o narrador nos apresenta com uma simplicidade terminantemente profunda; profunda e enevoada como a Vila Cacimba... leia mais >>

 

Lançamento...

 


O Kitsch e suas dimensões
Christina Sêga

O livro da Profa. Christina Sêga, do Departamento de Audiovisual e Publicidade da UnB, é um dos mais profundos e complexos estudos já realizados sobre o tema do Kitsch...leia mais >>

 
 
Poesia para os Olhos...
Vídeos e Imagens

Morte em Veneza

 
Transparências

 

 
Conto... Crônica... Cinema...

A guerra dos bárbaros

Nilto Maciel

Descalça, Tereza esfregava um pé no outro. A barra da saia ora descia até os joelhos, ora subia até o princípio das coxas. A mão direita alisava o pano. As unhas pintadas se confundiam com as bolinhas vermelhas que ornavam o fundo azul do tecido. Pequenina aranha passeava entre uma das pernas da mesa e a parte inferior da tábua. Na parte superior, um livro aberto, e sobre ele a outra mão da moça... leia mais >>

O traficante de livros na palafita do Recife

Samarone Lima

Não sei o que há com o jornalismo em geral. As notícias ruins ocupam a maior parte do noticiário, as péssimas nunca saem da pauta. Os crimes, em particular, se tornam obsessão das mídias. Há uma regra elementar - quanto mais cruéis (e se envolverem crianças), ganham mais espaço, mais tempo, mais páginas. Talvez seja por isso meu afastamento paulatino da minha profissão original....leia mais >>

Nome próprio - resenha sobre mim, sobre Leandra e sobre Clarah

Liana Aragão

Acabo de assistir ao filme Nome próprio, de Murilo Salles. Não é possível elogiar com os elogios que já existem a interpretação de Leandra Leal. A atriz é Clarah Averbuck (ou Camila, pseudônimo da escritora gaúcha) da cabeça aos pés (e ao coração). Espetacular, visceral (pra repetir o que os críticos já andam dizendo)...leia mais >>
Poesia...
(Ada Lima)
Artepensamento...

Desossei a poesia
e deitei-me
sobre ela.

À noite, tive sonhos mudos.

***

Faço versos
quebrados
porque penso
aos pe
da
ços
...leia mais>>

Um cinema desiludido

Sebastião Vicente

Tommy Lee Jones vem se tornando a nova face da América desiludida. É assim que ele aparece em pelo menos três filmes recentes: o árido drama sobre fronteiras e imigração "Três Enterros", que também dirigiu; a sufocante jornada de "No Vale das Sombras" (Paul Haggis), onde interpreta um pai em busca do filho desaparecido em meio às batalhas do Iraque; e "Onde os fracos não têm vez", o filme que deu o Oscar mais consagrador à dupla Ethan e Joel Coen. A ficha me caiu enquanto....leia mais >>

Resenhas...
 
Estado e Comunicação
Murilo César Ramos e Nelia R. Del Bianco
Estado e Comunicação reúne alguns dos principais textos e palestras proferidas no Colóquio Internacional e no Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação...leia mais >>
 
Filosofia Poesia Espionagem
Gustavo de Castro e Daniel Innerarity
Se você quer, de fato, ver, é preciso ir além do olhar; se você quer, de fato, olhar; é preciso ir além dos sentidos; se você quer, de fato, conhecer; é preciso...leia mais >>
         

 

 

  O Mito dos Nós
Gustavo de Castro
O que dizer aqui neste O Mito dos Nós? Desejei partilhar um sonho: o sonho de poder poetizar a prosa da vida!... E poder cavelgar sobre as nuvens... leia mais >>
 

Diz
Francisco Kaq
Em suma, a força destes mínimos "caligramas" vem da capacidade de seduzir o leitor, fazendo-o entrar no ritmo por assim dizer... leia mais >>

 
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